Revisão de moto é a manutenção programada que o fabricante define no manual, em intervalos de quilometragem ou de tempo, o que vencer primeiro. Em cada revisão o mecânico segue uma tabela: alguns itens são só inspecionados, outros ajustados, limpos, lubrificados ou trocados, e o conteúdo muda de uma revisão para a outra. Pular revisão deixa crescer desgastes que você não vê pilotando, como corrente esticada, folga de válvula e fluido de freio vencido, e pode comprometer a garantia da moto nova.
Como funciona o plano de revisões
No manual do proprietário existe uma tabela de manutenção periódica. Nas colunas, os intervalos (por exemplo, a primeira revisão e depois as seguintes, sempre com a quilometragem e o prazo em meses). Nas linhas, os itens da moto. No cruzamento, uma letra ou símbolo que diz o que fazer com cada item naquela revisão: inspecionar, limpar, ajustar, lubrificar ou trocar. A legenda dessas letras fica logo acima ou abaixo da tabela.
Por isso duas revisões da mesma moto podem ter tempos e custos bem diferentes. Uma pode ser só óleo e inspeções; a seguinte pode incluir vela, filtro de ar, regulagem de válvulas e fluido de freio. Antes de levar a moto, olhe no manual qual revisão é a vez e o que ela inclui. Assim você sabe o que esperar do orçamento.
A primeira revisão é diferente
A primeira revisão vem bem antes das outras e é a mais importante da vida da moto. Nos primeiros quilômetros, as peças estão se assentando: anéis, cilindro, engrenagens, corrente, cabos, parafusos. Nessa fase:
- o óleo recebe partículas metálicas finas do assentamento e precisa sair do motor;
- parafusos e porcas acomodam e podem perder aperto;
- a corrente e os cabos de acelerador e embreagem esticam um pouco;
- em vários motores, a folga das válvulas muda e precisa de conferência.
Na primeira revisão, além da troca de óleo, o mecânico reaperta fixações, ajusta corrente, cabos e freios e confere o funcionamento geral. Em moto nova, é também a revisão que mais pesa para a garantia.
O que é feito em cada sistema
Motor
- Óleo e filtro: troca de óleo conforme o intervalo e troca do filtro de cartucho quando for a vez, ou limpeza da tela e do filtro centrífugo nas motos que têm. A especificação de cada modelo está em óleo do motor;
- Vela de ignição: inspeção e limpeza nas revisões intermediárias, troca no intervalo do manual. Vela gasta deixa a partida difícil, aumenta consumo e causa falhas. A vela de cada moto está em vela;
- Filtro de ar: limpeza ou troca. Em uso com muita poeira, o intervalo é menor. Filtro sujo rouba potência e aumenta o consumo. Veja o de cada modelo em filtro de ar;
- Folga de válvulas: conferida e ajustada nos intervalos indicados. Folga fora da medida causa barulho, perda de potência, dificuldade de partida e, em casos extremos, válvula queimada;
- Marcha lenta e injeção: conferência da rotação de marcha lenta e, nas motos injetadas, leitura de falhas registradas pela central eletrônica e limpeza do corpo de borboleta quando indicado;
- Respiro do cárter e mangueiras: limpeza do dreno e inspeção de mangueiras de combustível e de respiro.
Arrefecimento (motos com radiador)
Inspeção do nível e do estado do líquido, das mangueiras e abraçadeiras, das aletas do radiador e do funcionamento da ventoinha. O líquido tem prazo de troca próprio, em geral longo, mas que não pode ser esquecido.
Transmissão
- Corrente, coroa e pinhão: limpeza, lubrificação, ajuste da folga e medição de desgaste. Corrente frouxa salta da coroa; corrente apertada demais destrói rolamentos e o próprio kit. Quando o kit está no fim, a troca é feita junto: corrente, coroa e pinhão. A peça de cada moto está em kit relação;
- Embreagem: ajuste da folga do cabo ou inspeção do sistema hidráulico;
- Scooters com CVT: inspeção e troca da correia no intervalo do manual, inspeção de roletes e embreagem centrífuga, limpeza do filtro da caixa da transmissão e troca do óleo da transmissão final.
Freios
- Pastilhas e lonas: medição da espessura e troca quando chegam ao limite. A marca de desgaste da pastilha fica visível na pinça;
- Fluido de freio: conferência do nível e do aspecto. O fluido absorve umidade do ar com o tempo, o que baixa o ponto de ebulição e pode deixar o manete "borrachudo" em frenagens fortes. Por isso a troca é por tempo, mesmo em moto que roda pouco. O tipo de fluido de cada moto está em fluido de freio;
- Discos, mangueiras e cabos: inspeção de desgaste, vazamentos e folgas; regulagem do freio a tambor e do interruptor da luz de freio.
Suspensão e direção
Inspeção de vazamento nos retentores da bengala, funcionamento dos amortecedores traseiros, folgas da balança e da caixa de direção. Direção com folga ou presa deixa a moto instável e cansativa de pilotar. Alguns planos incluem troca do óleo da suspensão dianteira em intervalos longos.
Rodas e pneus
Calibragem, medição de desgaste, conferência de cortes, bolhas e deformações, estado dos raios nas rodas raiadas e folga dos rolamentos de roda. A pressão de cada moto está na página de calibragem do modelo, como a da Honda CG 160.
Parte elétrica
Teste de bateria e de carga, iluminação, setas, buzina, painel e o interruptor do cavalete lateral, que em muitas motos impede o motor de funcionar com o descanso abaixado. Defeito nesse interruptor é causa comum de moto que morre ao engatar a marcha.
Fixações e lubrificação geral
Reaperto de parafusos e porcas indicados, lubrificação de articulações de pedais, manetes e cavaletes, e conferência dos cabos de acelerador e embreagem.
Tabela resumida: o que costuma ser feito
| Item | Inspeção nas revisões | Troca |
|---|---|---|
| Óleo do motor | Nível e vazamentos | No intervalo do manual, km ou meses |
| Filtro de óleo | Estado | Toda troca ou trocas alternadas, conforme o manual |
| Vela | Desgaste e depósitos | No intervalo do manual |
| Filtro de ar | Sujeira | No intervalo, ou antes em uso com poeira |
| Corrente e kit | Folga, lubrificação, desgaste | Quando atinge o limite de desgaste |
| Pastilhas e lonas | Espessura | Quando atingem o limite |
| Fluido de freio | Nível e aspecto | Por tempo, conforme o manual |
| Folga de válvulas | Medição | Ajuste quando fora da medida |
| Pneus | Pressão, desgaste e danos | Quando chegam ao indicador de desgaste ou têm dano |
Por que não pular revisão
Desgaste que você não sente. Muitas falhas crescem devagar e a moto continua andando: corrente que estica um pouco por semana, pastilha que afina, fluido que absorve umidade, válvula que perde a folga. Quando o sintoma aparece, o conserto já é maior. Uma corrente esquecida, por exemplo, leva junto coroa e pinhão e pode danificar a carcaça do motor se arrebentar.
Segurança. Freio, pneu, direção e suspensão são itens de revisão. Uma pastilha no metal ou um pneu com bolha não avisam com antecedência suficiente.
Garantia. Em moto nova, a garantia costuma ser condicionada às revisões nos prazos, com tolerâncias definidas pelo fabricante. As regras exatas variam por marca e estão no manual de garantia: leia antes da primeira revisão.
Consumo e desempenho. Filtro de ar sujo, vela gasta e corrente seca roubam potência e aumentam o consumo, sem que você perceba de uma vez.
Revenda. Moto com histórico de revisões, carimbos no manual ou notas fiscais organizadas vende mais rápido e com menos desconfiança do comprador.
Concessionária ou oficina independente?
Durante a garantia, siga o que o manual de garantia exige. Depois dela, uma oficina independente de confiança pode fazer as revisões, desde que siga a tabela do manual e use peças e fluidos nas especificações corretas. Em qualquer lugar, vale:
- pedir orçamento antes de qualquer serviço que não esteja no plano;
- pedir as peças trocadas de volta, ou pelo menos para vê-las;
- exigir nota com a lista do que foi feito e do que foi trocado;
- guardar tudo junto com o manual.
Como se preparar para a revisão
- Veja no manual qual é a revisão da vez e o que ela inclui;
- Anote qualquer sintoma: barulho, vibração, vazamento, luz no painel, freio diferente, marcha que escapa;
- Agende com antecedência, principalmente na concessionária;
- Leve o manual para registro da revisão, se a marca usa carimbo;
- Na entrega, peça uma explicação do que foi feito e confira se os sintomas que você anotou foram resolvidos.
O que você mesmo pode conferir entre revisões
Revisão não substitui o cuidado do dia a dia. A cada poucas semanas, confira a calibragem dos pneus, o nível do óleo, a folga e a lubrificação da corrente, o funcionamento de luzes e setas e a resposta dos freios. São cinco minutos que evitam a maior parte das surpresas na estrada.
Perguntas frequentes
Posso adiantar uma revisão?
Pode. Se você vai viajar e a revisão vence no meio do caminho, faça antes. O que não convém é atrasar além da tolerância do fabricante.
Moto que roda pouco precisa de revisão?
Precisa, pelo prazo em meses. Óleo, fluido de freio e borrachas envelhecem com o tempo, não só com a quilometragem.
Revisão em oficina independente faz perder a garantia?
Depende das regras de cada fabricante, que estão no manual de garantia. Em geral, durante a garantia, a recomendação é fazer as revisões na rede autorizada. Leia o manual antes de decidir.
Quanto tempo demora uma revisão?
As mais simples, com óleo e inspeções, costumam ficar prontas no mesmo dia. As que incluem regulagem de válvulas, troca de kit ou fluido de freio levam mais. Pergunte o prazo no agendamento.
Comprei moto usada sem histórico. O que faço?
Faça uma revisão completa logo: óleo e filtro, vela, filtro de ar, fluido de freio, corrente, pastilhas, pneus e folga de válvulas. A partir daí, recomece a contagem do plano do manual.
Este conteúdo é informativo. Para serviços de freio, suspensão, elétrica e motor, procure um mecânico de confiança e siga o manual da sua moto.