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Motos big trail

Aventureiras acima de 500 cc para viajar longe, no asfalto e fora dele. São 205 versões de 19 marcas vendidas no Brasil desde 1990.

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Big trail é a moto de aventura de cilindrada alta: acima de 500 cc, com motor de dois ou três cilindros na maioria, suspensão longa, para-brisa, tanque grande e preparo para levar bagagem e garupa por milhares de quilômetros, inclusive em estrada de terra. É a moto de quem viaja. Em troca, ela é alta, pesada, cara de comprar, de manter e de segurar, e pede experiência de pilotagem. A habilitação é a CNH categoria A.

O que define uma big trail

  • Posição de pilotagem: ereta, com guidão largo, banco alto e pernas pouco dobradas. É a posição que menos cansa em viagem longa e a que melhor permite pilotar em pé na terra.
  • Motor: de 600 cc a 1.300 cc nos modelos à venda hoje no catálogo do site. Bicilíndricos em linha, em V ou boxer e tricilíndricos são os mais comuns. O foco é torque largo, para ultrapassar carregado sem reduzir marcha a toda hora.
  • Quadro: de aço ou alumínio, com subquadro reforçado para receber malas laterais, baú e garupa.
  • Suspensão: curso longo, com regulagens de pré-carga e, em muitos modelos, de compressão e retorno. Nas versões mais caras, a suspensão é eletrônica e se ajusta sozinha à carga e ao piso.
  • Rodas e pneus: roda dianteira maior que a traseira, raiada nas versões mais voltadas para terra e de liga leve nas mais voltadas para asfalto. Pneus de uso misto, com mais ou menos cravo conforme a proposta.
  • Eletrônica: ABS, modos de pilotagem, controle de tração e, nas mais completas, piloto automático, painel colorido com navegação e assistente de troca de marcha. Algumas usam câmbio de dupla embreagem (DCT), que troca as marchas sozinho.
  • Transmissão final: corrente na maioria; algumas, como a linha GS boxer da BMW, usam cardã, que dispensa ajuste e lubrificação de corrente.

Dentro do tipo há duas famílias. As mais voltadas ao asfalto, com roda dianteira menor e suspensão mais curta, viajam com conforto e encaram terra leve. As mais voltadas à terra, com roda dianteira maior, raiada, e suspensão mais longa, aguentam trilha de verdade, mas são mais altas.

Para quem a big trail serve e para quem não serve

A big trail serve para:

  • quem viaja com frequência e quer conforto para o piloto e o garupa;
  • quem faz roteiro misto, com trechos de estrada de terra, serra e chuva;
  • quem leva bagagem para vários dias;
  • quem já tem experiência em moto e quer subir de categoria.

Ela não é a melhor escolha se você:

  • está comprando a primeira moto: o peso, a altura e a potência cobram caro de quem ainda não domina a moto;
  • é baixo e não pode ajustar banco e suspensão: com o pé na ponta, segurar uma moto pesada parada numa rampa de terra é difícil;
  • usa a moto só na cidade: ela é larga, esquenta no trânsito e o custo não compensa;
  • quer economizar: seguro, pneus, revisões e peças custam bem mais do que numa trail média.

Para quem quer o espírito da big trail com menos peso e custo, a trail média, de 300 cc a 450 cc, é um meio-termo.

Uso: cidade, estrada, trabalho, garupa e terra

Cidade. Ela anda na cidade, com posição alta e boa visão. Mas é larga para o corredor, o calor do motor sobe no trânsito parado e manobrar na garagem exige cuidado.

Estrada. É o uso principal. Motor com sobra para ultrapassar, para-brisa, banco largo e tanque grande dão autonomia e conforto em dia inteiro de viagem.

Trabalho. Não é moto de trabalho no sentido de entrega. O custo de compra e de manutenção não faz sentido para motofrete.

Garupa. É um dos tipos mais confortáveis para o passageiro, com banco largo, alças e pedaleiras bem posicionadas. Com garupa e malas, ajuste a pré-carga da suspensão e recalibre os pneus como manda o manual. Criança menor de 10 anos não pode ir na garupa, pelo artigo 244 do CTB.

Terra. Estrada de chão, cascalho e trilha moderada estão no repertório. O peso é o limite: numa queda em terreno ruim, levantar a moto sozinho é difícil. Se você pretende fazer muita terra, um curso de pilotagem off-road para big trail ajuda muito.

Cilindrada e habilitação

A big trail começa acima de 500 cc e passa de 1.200 cc nas maiores. O Código de Trânsito Brasileiro não tem categoria de habilitação por potência: a CNH categoria A autoriza pilotar qualquer moto, de qualquer cilindrada. O artigo 143 do CTB define a categoria A como a dos veículos motorizados de duas ou três rodas.

Isso quer dizer que a lei não impede que alguém recém-habilitado compre uma moto de 1.300 cc. O bom senso, sim: o peso e a potência pedem experiência. O passo a passo da carteira de moto está em CNH categoria A.

Custo de manutenção e de seguro

A big trail é uma das motos mais caras de manter. Os itens que mais pesam:

  • Revisões: muitas marcas exigem revisão em concessionária para manter a garantia, com mão de obra mais cara que a de motos pequenas.
  • Ajuste de válvulas e velas: em motores de vários cilindros, dá mais trabalho e custa mais.
  • Pneus: são largos e de medida específica, e os mistos de cravo maior gastam rápido no asfalto.
  • Relação ou cardã: a corrente é mais robusta e cara; o cardã dispensa ajuste, mas tem óleo próprio e manutenção específica.
  • Peças de queda: manetes, pedaleiras, retrovisores, para-brisa e carenagens são caros. Protetor de motor e de tanque são investimentos que se pagam na primeira queda.

O seguro é caro em valor absoluto porque a moto vale muito, e o preço também depende do índice de roubo do modelo, do CEP, do perfil do condutor e de onde a moto fica guardada. Big trails de marcas premium têm peças caras, o que pesa na cotação do seguro com cobertura para colisão. Compare propostas e veja as coberturas em seguro de moto.

Como preparar a big trail para a terra

Antes de levar a big trail para a estrada de chão, alguns ajustes fazem diferença: calibre os pneus conforme o manual para uso fora de estrada, ative o modo de pilotagem para terra, quando houver, e, se a moto permitir, desligue o ABS traseiro. Proteções de motor, de cárter e de mão evitam que uma queda boba encerre a viagem. Na pilotagem, fique em pé nas pedaleiras, olhe longe, use o acelerador com suavidade e freie com mais antecedência. E viaje acompanhado sempre que possível: levantar sozinho uma moto desse peso, num barranco, é difícil.

O que olhar na compra

Na big trail nova:

  • Altura e peso: sente, levante a moto do descanso e manobre parado. Veja se há banco baixo ou suspensão rebaixada de fábrica.
  • Versão: entre a de entrada e a mais completa mudam suspensão, eletrônica, rodas e, às vezes, o tanque. Pague pelo que você vai usar.
  • Acessórios originais: malas, protetores e faróis auxiliares de fábrica podem custar bastante. Compare com o pacote que já vem em versões mais caras.

Na big trail usada:

  • Histórico de revisões: em moto de alto valor, o carimbo da concessionária faz diferença na revenda e na garantia de que a manutenção foi feita.
  • Sinais de queda: protetor de motor riscado, manete trocada, para-brisa novo numa moto antiga e rodas com aro amassado.
  • Suspensão: vazamento nos retentores do garfo e no amortecedor traseiro.
  • Eletrônica: teste todos os modos, o painel, os comandos e as luzes de alerta. Peça uma leitura da central eletrônica na oficina de confiança.
  • Recall: consulte no site do fabricante se o chassi tem recall pendente.

O preço de referência de cada ano está na página do modelo, com a tabela FIPE.

  • BMW R 1300 GS: a mais recente da linha GS boxer, vendida desde 2024, com versões Adventure de tanque maior.
  • Honda Africa Twin: no catálogo desde 2017, com versões Adventure Sports e câmbio DCT.
  • Yamaha Ténéré 700: bicilíndrica mais leve e voltada à terra.
  • Honda XL 750 Transalp: a volta do nome Transalp, de 755 cc, entre a trail média e as grandes.
  • Triumph Tiger 900: tricilíndrica, com versões mais voltadas ao asfalto e à terra.
  • BMW F 800 GS: a GS média, com motor bicilíndrico em linha, no catálogo desde 2008.
  • Honda NC 750X: big trail mais urbana e econômica, com versão DCT e porta-objetos no lugar do tanque.

Perguntas frequentes

Big trail é boa para iniciante?

Em geral, não. O peso, a altura e a potência exigem experiência para manobrar parado, frear forte e enfrentar terra. O caminho mais seguro é começar numa street ou numa trail menor e subir de cilindrada aos poucos.

Precisa de habilitação especial para big trail?

Não. A CNH categoria A autoriza pilotar qualquer moto, sem limite de cilindrada ou potência. O que muda é o seguro, que pode olhar para o seu tempo de habilitação na hora de calcular o preço.

Qual a diferença entre big trail e moto touring?

A big trail tem suspensão longa e pneus mistos, e encara terra. A touring é feita só para o asfalto, com carenagem grande, malas integradas e muito conforto, mas não serve para estrada de chão. As duas viajam bem; a escolha depende do tipo de roteiro.

Big trail gasta muito combustível?

O consumo é maior que o de uma moto pequena, mas o tanque grande dá boa autonomia. O que mais pesa no custo da big trail não é o combustível, e sim pneus, revisões, peças e seguro.

Vale a pena big trail usada?

Pode valer, porque a depreciação nos primeiros anos é grande. Mas exija histórico de revisões, procure sinais de queda e faça uma avaliação numa oficina que conheça a marca antes de fechar negócio.