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Motos naked

Sem carenagem, com motor em evidência: das médias às de alta cilindrada, inclusive as neo-retrô. São 253 versões de 25 marcas vendidas no Brasil desde 1990.

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Moto naked é a moto "pelada": sem carenagem, com o motor à mostra, guidão reto e largo e posição de pilotagem ereta ou levemente inclinada para a frente. Ela pega o motor e a ciclística de uma moto esportiva e deixa a pilotagem mais confortável e fácil de controlar no dia a dia. Vai das médias, de 300 cc a 500 cc, às grandes, acima de 1.000 cc, e inclui as neo-retrô, que imitam o visual das motos dos anos 1960 e 1970. Para pilotar, você precisa da CNH categoria A.

O que define uma moto naked

  • Posição de pilotagem: tronco ereto ou levemente inclinado, guidão largo e pedaleiras um pouco mais recuadas que numa street. É confortável para a cidade e para curvas, mas sem nenhuma proteção contra o vento.
  • Motor: é a estrela da moto. As médias usam bicilíndricos de 300 cc a 500 cc ou monocilíndricos de 350 cc a 450 cc; as grandes, bicilíndricos, tricilíndricos ou quatro cilindros de 650 cc a mais de 1.000 cc. Muitas usam o motor de uma esportiva da mesma marca, com mais torque em rotação média.
  • Quadro: de aço ou alumínio, mais rígido que o de uma street, pensado para curva e frenagem forte.
  • Suspensão: mais firme que a de uma street, com garfo invertido em muitos modelos e regulagens nas versões mais caras.
  • Rodas e pneus: rodas de liga leve com pneus de asfalto largos, sobretudo atrás, com mais aderência e duração menor.
  • Eletrônica: ABS em todas as médias e grandes atuais, e nas maiores, modos de pilotagem, controle de tração e assistente de troca de marcha.

As neo-retrô seguem a mesma lógica com outro visual: farol redondo, tanque em gota, banco reto e, às vezes, rodas raiadas. Por baixo, a mecânica é moderna, com injeção, ABS e, nas maiores, eletrônica completa.

A diferença para a moto street é de proposta. A street é a moto de uso diário, econômica, com motor pequeno. A naked tem motor mais forte, ciclística mais esportiva e é comprada mais pelo prazer de pilotar do que pela economia.

Para quem a naked serve e para quem não serve

A naked serve para:

  • quem quer subir de uma street para uma moto com mais desempenho, sem a posição cansativa de uma esportiva;
  • quem usa a moto na cidade e no passeio de fim de semana, com curvas e serra;
  • quem gosta de pilotagem esportiva mas quer conforto no trânsito;
  • quem gosta do visual clássico, no caso das neo-retrô.

Ela não é a melhor escolha se você:

  • viaja muito em rodovia: sem carenagem, o vento cansa o pescoço e os braços acima de velocidades de estrada;
  • leva garupa com frequência: o banco do passageiro costuma ser pequeno e alto;
  • roda em estrada de terra: a suspensão e os pneus não são para isso;
  • está começando: uma naked média de 300 cc a 400 cc pode ser uma boa segunda moto, mas as grandes têm potência demais para quem ainda não domina frenagem e curva.

Uso: cidade, estrada, trabalho, garupa e terra

Cidade. A naked anda bem na cidade, com posição ereta e guidão largo, que facilita as manobras. As grandes esquentam no trânsito parado e pedem embreagem mais pesada em alguns modelos.

Estrada. Viaja, mas sem proteção do vento. Em trechos longos de rodovia, o corpo trabalha para segurar a pressão do ar. Uma bolha pequena, vendida como acessório, ajuda um pouco.

Trabalho. Não é moto de entrega. O consumo, o custo de pneus e o valor da moto não compensam.

Garupa. Leva, mas o banco de trás é pequeno e alto na maioria. Para passeio curto, tudo bem; para viagem, o passageiro cansa. Criança menor de 10 anos não pode ir na garupa, pelo artigo 244 do CTB.

Terra. Não é para terra. Pneus de asfalto e suspensão firme não lidam bem com cascalho e buraco. Algumas neo-retrô de estilo scrambler aceitam estrada de chão leve.

Cilindrada e habilitação

Entre as naked à venda hoje no catálogo do site, a cilindrada vai de cerca de 320 cc a cerca de 1.100 cc. As faixas mais procuradas são as médias, de 300 cc a 500 cc, e as de 650 cc a 900 cc.

Toda naked exige a CNH categoria A. No Brasil, não há divisão de habilitação por potência: o artigo 143 do Código de Trânsito Brasileiro define a categoria A como a dos veículos motorizados de duas ou três rodas, de qualquer cilindrada. Isso significa que alguém recém-habilitado pode, pela lei, comprar uma naked de 1.000 cc; o bom senso diz que é melhor subir aos poucos. O processo de habilitação está em CNH categoria A.

Custo de manutenção e de seguro

A naked média tem custo de manutenção mais alto que o de uma street, e a grande, bem mais alto. O que pesa:

  • Pneus: largos, macios e de alta aderência, gastam rápido, principalmente se você acelera forte.
  • Relação: corrente e coroa para motor potente custam mais e pedem ajuste e lubrificação frequentes.
  • Revisões: motores de dois ou mais cilindros têm mais velas, mais válvulas para ajustar e, em muitos casos, arrefecimento líquido, com fluido próprio.
  • Freios: pastilhas e discos de moto potente gastam mais e custam mais.
  • Peças de queda: sem carenagem, uma queda leve costuma danificar manete, pedaleira, retrovisor, ponteira de guidão e tampa do motor, que são mais baratas que carenagem, mas somam.

O seguro de naked média e grande é mais caro que o de street, não só pelo valor da moto. As seguradoras olham também o índice de roubo do modelo, o CEP, o perfil do condutor e o uso. Modelos potentes podem ter cotação alta para condutor jovem ou com pouco tempo de habilitação. Cote antes de comprar, e veja as coberturas em seguro de moto.

Como subir de uma street para uma naked

A naked costuma ser a segunda moto de quem começou numa street. A diferença é grande: mais potência, mais peso, freios mais fortes e aceleração que chega rápido a velocidades altas. Algumas dicas para a transição:

  • comece pelas médias, de 300 cc a 500 cc, antes das grandes;
  • nas primeiras semanas, use o modo de pilotagem mais suave, quando houver;
  • treine frenagem forte em local fechado, para conhecer o ABS e a distância de parada;
  • capriche no equipamento: jaqueta com protetores, luvas e bota fazem diferença numa queda, que numa naked costuma ser em velocidade maior.

O que olhar na compra

Na naked nova:

  • Peso e altura: algumas naked grandes são altas e pesadas na manobra parada. Sente e manobre na loja.
  • Eletrônica: controle de tração e modos de pilotagem ajudam quem está subindo de cilindrada.
  • Embreagem: veja se é leve, com embreagem assistida ou deslizante, ou se cansa a mão no trânsito.
  • Versões: entre a versão de entrada e a mais cara mudam suspensão, freios e painel. Para cidade e passeio, a de entrada costuma bastar.

Na naked usada:

  • Sinais de queda: ponteiras de guidão, manetes, pedaleiras e tampas do motor raladas, retrovisor trocado e tanque amassado.
  • Pneus e relação: desgaste forte no centro do pneu e corrente gasta mostram uso intenso; pneu gasto só nas laterais mostra uso em pista ou serra.
  • Escapamento e modificações: escapamento esportivo, remapeamento de injeção e eliminador de rabeta podem render problema na vistoria e indicar uso mais forte.
  • Revisões: peça as notas e confira se as revisões de válvulas foram feitas no prazo.
  • Documento: chassi, motor, débitos e histórico de sinistro ou leilão.

O preço de referência de cada ano está na página do modelo, com a tabela FIPE.

  • Yamaha MT-03: naked média bicilíndrica de 321 cc, no catálogo desde 2017, uma das portas de entrada do tipo.
  • Honda CB 500 Hornet: bicilíndrica de 471 cc que retomou o nome Hornet na faixa média.
  • Royal Enfield Hunter 350: neo-retrô monocilíndrica de 349 cc, leve e de manutenção simples.
  • Yamaha MT-07: bicilíndrica de 689 cc, conhecida pelo torque em rotação média.
  • Honda CB 650R: quatro cilindros de 649 cc, com versão E-Clutch.
  • BMW F 900 R: bicilíndrica de 895 cc com eletrônica completa.
  • Kawasaki Z900RS: neo-retrô de quatro cilindros e 948 cc, inspirada nas Kawasaki dos anos 1970.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre naked e esportiva?

As duas podem usar o mesmo motor. A esportiva tem carenagem completa, guidão baixo e posição deitada sobre o tanque, pensada para velocidade e pista. A naked tira a carenagem, sobe o guidão e deixa a posição mais confortável para a rua. Na estrada, a esportiva protege mais do vento; na cidade, a naked cansa menos. Veja o outro lado em motos esportivas.

Naked serve para viajar?

Serve para viagens curtas e médias. Sem carenagem, o vento cansa em rodovia, e o banco do garupa costuma ser pequeno. Para quem viaja muito, uma touring, uma big trail ou uma naked com bolha e malas são opções mais confortáveis.

Qual naked é boa para quem está saindo de uma street?

As médias, de 300 cc a 500 cc, são a transição mais comum. Têm potência suficiente para estrada sem assustar, peso controlável e custo de manutenção menor que o das grandes.

Moto naked precisa de habilitação especial?

Não. A CNH categoria A serve para qualquer moto, de qualquer cilindrada ou potência. Não existe no Brasil uma categoria intermediária para motos grandes.

O que é uma naked neo-retrô?

É uma naked com visual inspirado nas motos clássicas, com farol redondo, tanque em gota e banco reto, mas com mecânica moderna, injeção e ABS. Exemplos no catálogo são a Royal Enfield Hunter 350, a Kawasaki Z900RS e a Royal Enfield Classic 650.