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Qual o melhor fluido de freio para moto: DOT 3, DOT 4, DOT 5.1 ou DOT 5

O melhor fluido de freio é o que o manual e a tampa do reservatório da sua moto indicam, quase sempre DOT 4. Veja a diferença entre DOT 3, DOT 4, DOT 5.1 e DOT 5, os pontos de ebulição da norma, o que pode misturar e quando trocar.

Por Equipe Tudo de Moto, . Leitura de 11 min.

O melhor fluido de freio para a sua moto é o que o fabricante especifica no manual e, em geral, na tampa do reservatório. Na maioria das motos vendidas hoje no Brasil essa especificação é DOT 4. DOT 3, DOT 4 e DOT 5.1 são fluidos à base de glicol, da mesma família, e se diferenciam principalmente pelo ponto de ebulição mínimo exigido pela norma. O DOT 5 é outro produto, à base de silicone, e não deve ser misturado com nenhum deles. Seja qual for o tipo, o fluido envelhece absorvendo umidade, e por isso os fabricantes mandam trocar por tempo, normalmente a cada 2 anos.

Para que serve o fluido de freio

No freio hidráulico, você aperta o manete ou o pedal e empurra um pistão no cilindro mestre. O fluido, que não se comprime, transmite essa força pela mangueira até a pinça, onde outros pistões apertam as pastilhas contra o disco. Se houver ar ou vapor no circuito, parte do curso do manete é gasta comprimindo bolhas, e o freio fica "borrachudo".

É aí que entra o ponto de ebulição. Numa frenagem forte e repetida, como numa descida de serra, o disco e a pinça esquentam muito e passam calor para o fluido. Se ele ferver, forma vapor dentro da pinça, e o manete pode ir até o punho sem frear direito. Quanto mais alto o ponto de ebulição, maior a margem de segurança.

Moto com freio a tambor nas duas rodas, acionado por cabo ou vareta, não usa fluido. Era o caso, por exemplo, da CG 160 Start da linha 2022, que pelo manual tinha tambor na frente e atrás. Se a sua tem disco em uma das rodas, ela tem pelo menos um reservatório.

DOT 3, DOT 4, DOT 5.1 e DOT 5: as diferenças

A sigla DOT vem do Departamento de Transportes dos Estados Unidos. A norma que define os tipos é a FMVSS 116, que fixa valores mínimos de ponto de ebulição, viscosidade no frio, corrosão e outros ensaios. A norma SAE J1703 tem exigências equivalentes às do DOT 3 para o ponto de ebulição.

A norma mede dois pontos de ebulição:

  • Seco: o do fluido novo, recém-saído da embalagem lacrada;
  • Úmido: o do fluido depois de absorver umidade num ensaio padronizado. Ele mostra como o fluido se comporta depois de algum tempo de uso, que é a situação real da sua moto.
TipoBaseEbulição seca mínimaEbulição úmida mínimaCor pela norma
DOT 3Glicol205 °C140 °CIncolor a âmbar
DOT 4Glicol230 °C155 °CIncolor a âmbar
DOT 5.1Glicol260 °C180 °CIncolor a âmbar
DOT 5Silicone260 °C180 °CRoxo

Os valores de seco e úmido de DOT 3, DOT 4 e DOT 5 estão no texto da FMVSS 116. O DOT 5.1 aparece na própria norma como a versão "não silicone" da classe DOT 5 (o rótulo deve dizer "DOT 5.1 NON-SILICONE BASE"), por isso precisa atingir os mesmos mínimos do DOT 5.

Repare que esses são mínimos. Muitos produtos passam deles. A ficha técnica do Motul DOT 5.1, por exemplo, declara 267 °C seco e 188 °C úmido. Comparar o ponto úmido da embalagem é uma boa forma de diferenciar dois fluidos do mesmo tipo.

DOT 3

É o mais antigo dos três à base de glicol e o de menor ponto de ebulição. Aparece em manuais de motos mais antigas, às vezes como opção ao lado do DOT 4. O manual da Honda CG 150 Titan 2008, por exemplo, indica "DOT 3 ou DOT 4" para a versão com freio a disco.

DOT 4

É o padrão atual. Os manuais recentes da Honda e da Yamaha que consultamos, como os da CG 160 Titan S, da Lander 250 e da Crosser 150, pedem só DOT 4. Ele tem ponto de ebulição mais alto que o DOT 3 e é o que você vai encontrar com mais facilidade em loja de peças. Para conferir o da sua moto, veja a especificação de fluido de freio por modelo.

DOT 5.1

Também é à base de glicol, mas com ponto de ebulição mínimo igual ao do DOT 5. É usado em quem exige mais do freio, como em uso esportivo ou em motos cujo fabricante especifica esse fluido. Como é da mesma família química, os fabricantes de fluido o declaram compatível com DOT 3 e DOT 4.

DOT 5 (silicone)

Apesar do número, não é uma "evolução" do DOT 4. É à base de silicone, não absorve água como os de glicol e tem cor roxa por exigência da norma, justamente para ninguém confundir. É raro em moto de série. Se a sua moto não pede DOT 5 de forma expressa, não use.

Qual é o melhor, então?

Na prática, não existe "o melhor" no geral. Existe o certo para o seu sistema:

  • Use o que o manual indica. O fabricante testou as vedações, as mangueiras e os pistões com aquele fluido;
  • DOT 4 de boa procedência resolve a grande maioria dos casos, porque é o que a maior parte das motos pede;
  • DOT 5.1 no lugar de DOT 4 é aceito por muitos fabricantes de fluido, mas confirme no manual da moto. Alguns manuais pedem só o tipo especificado;
  • DOT 5 nunca entra num sistema projetado para glicol, e vice-versa.

Ponto de ebulição mais alto só faz diferença real se você exige muito do freio. Para uso urbano e estrada, um DOT 4 trocado no prazo protege mais do que um DOT 5.1 vencido.

Como saber o fluido da sua moto

Há três caminhos, do mais rápido ao mais completo:

  1. Tampa do reservatório: em geral, a especificação vem gravada na tampa do cilindro mestre, no guidão (freio dianteiro), e na do reservatório traseiro, perto do pedal. Procure "DOT 4" ou equivalente. Se a gravação estiver apagada ou se a tampa já tiver sido trocada por uma de outra moto, não confie só nela;
  2. Manual do proprietário: a seção de freios e a tabela de especificações dizem o tipo. Os manuais em PDF costumam estar no site do fabricante;
  3. Páginas do modelo no Tudo de Moto: a especificação aparece por versão e ano, como na página do fluido de freio da Honda CG 160.

Se você comprou a moto usada e não sabe o que está no sistema, a solução mais segura é fazer a troca completa com o fluido do manual. Assim você zera o histórico.

Pode misturar fluido de freio?

Aqui há duas respostas, e é preciso separar química de recomendação do fabricante.

Pela química: DOT 3, DOT 4 e DOT 5.1 são à base de glicol e se misturam sem reação. A ficha técnica do Motul DOT 5.1 diz que ele pode ser misturado com DOT 3, DOT 4 e DOT 5.1 "não silicone", e que não deve ser misturado com fluido de silicone (DOT 5) nem com fluido de base mineral. Misturar glicol com silicone é o erro grave: os dois não se combinam, e o sistema precisa ser limpo.

Pelo fabricante da moto: os manuais são mais restritivos. O da Honda CG 160 Titan S diz para usar só DOT 4 de embalagem lacrada e não misturar tipos diferentes. Os da Yamaha avisam que adicionar fluido diferente de DOT 4 pode causar reação química nociva. Siga essa orientação.

Na prática:

  • Para completar o nível, use o mesmo tipo que está no sistema, de embalagem lacrada;
  • Numa emergência, completar DOT 4 com DOT 5.1 (ou o contrário) é menos ruim que rodar com nível abaixo do mínimo, mas faça a troca completa assim que der;
  • Misturar DOT 3 com DOT 4 reduz o ponto de ebulição da mistura para algo entre os dois. Funciona, mas você perde a margem do DOT 4;
  • Silicone com glicol, nunca.

Por que o fluido vence mesmo sem rodar

Fluido à base de glicol é higroscópico: puxa a umidade do ar. Ela entra pelo respiro do reservatório, pelas vedações e cada vez que alguém abre a tampa. A água dissolvida derruba o ponto de ebulição, e é por isso que a norma exige o ponto úmido. Ela também favorece corrosão dentro da pinça e do cilindro mestre.

Esse processo acontece com a moto rodando ou parada na garagem. Por isso os fabricantes definem a troca por tempo:

  • O manual da Honda CG 160 Titan S manda verificar o nível nas revisões e trocar a cada 2 anos;
  • Os manuais da Yamaha Lander 250 e Crosser 150 também indicam troca a cada 2 anos;
  • Fabricantes de peças como a febi lembram que a recomendação mais comum das montadoras é a cada dois anos.

Confira o prazo exato no manual da sua versão, porque ele pode mudar de modelo para modelo. A troca de fluido costuma entrar na revisão da moto do período.

Sinais de que o fluido precisa de atenção

  • Fluido escuro, turvo ou com resíduo no visor do reservatório;
  • Manete ou pedal "borrachudo", com curso longo;
  • Freio que perde eficiência depois de várias frenagens seguidas;
  • Nível caindo rápido, o que indica vazamento, e não apenas desgaste.

O nível baixar devagar é normal: conforme as pastilhas se desgastam, os pistões da pinça avançam e mais fluido fica no circuito. Os manuais da Yamaha dizem exatamente isso. Queda brusca, porém, pede revisão antes de rodar.

Cuidados ao comprar e manusear

  • Embalagem lacrada e de tamanho certo. Fluido aberto continua absorvendo umidade no frasco. Prefira o tamanho que você vai usar de uma vez;
  • Proteja a pintura e o plástico. Fluido de freio ataca tinta e peças plásticas. Cubra o tanque e o painel com um pano e limpe qualquer respingo na hora com bastante água;
  • Proteja pele e olhos. O fluido irrita. Use luvas e óculos;
  • Não deixe entrar água ou sujeira no reservatório, nem em lavagem com jato;
  • Descarte certo. Fluido usado vai para a oficina ou ponto de coleta de resíduos automotivos, nunca para o ralo.

Trocar em casa ou na oficina?

A troca completa envolve abrir o sistema, empurrar o fluido velho pela válvula de sangria da pinça e tirar todo o ar. Em moto com ABS ou com CBS hidráulico, o circuito é mais complexo e pode ter procedimento próprio de sangria. Os manuais da Honda, inclusive, dizem que a troca exige habilidade mecânica e indicam a concessionária.

Se você nunca fez, leve a um mecânico de confiança e peça para ver o fluido novo saindo limpo na sangria. Freio é o item de segurança mais importante da moto; não vale arriscar uma bolha de ar esquecida na pinça.

Perguntas frequentes

DOT 4 é melhor que DOT 3?

Em ponto de ebulição, sim: a norma exige pelo menos 230 °C seco e 155 °C úmido no DOT 4, contra 205 °C e 140 °C no DOT 3. Mas o que manda é o manual. Se a sua moto pede DOT 4, não use DOT 3.

Posso colocar DOT 5.1 na moto que pede DOT 4?

Pela química, os dois são compatíveis, e fabricantes de fluido como a Motul declaram isso. Alguns manuais de moto, porém, pedem só o tipo especificado. Confira o seu e, se for trocar de DOT 4 para DOT 5.1, faça a troca completa em vez de só completar.

DOT 5 é mais moderno que DOT 4?

Não. O DOT 5 é à base de silicone, de outra família, e não se mistura com DOT 3, DOT 4 ou DOT 5.1. Só use se o manual da moto pedir DOT 5 de forma expressa.

De quanto em quanto tempo trocar o fluido de freio?

Nos manuais da Honda e da Yamaha que consultamos, a cada 2 anos, mesmo que a moto rode pouco. Confirme o prazo da sua versão no manual do proprietário.

O fluido de freio está baixo. Posso só completar?

Primeiro veja por que baixou. Se as pastilhas estão gastas, o nível desce naturalmente e volta quando você coloca pastilhas novas. Se não há desgaste e o nível caiu rápido, procure vazamento antes de completar. Para completar, use o mesmo tipo de fluido, de embalagem lacrada.

Fontes

Este conteúdo é informativo. Para serviços de freio, suspensão, elétrica e motor, procure um mecânico de confiança e siga o manual da sua moto.

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