O jeito mais seguro de saber se uma moto é carburada ou injetada é olhar o sistema de alimentação na tabela de especificações do manual do proprietário: ali está escrito "carburador" ou "injeção eletrônica". Sem manual, três sinais ajudam: o nome da versão (letras como i, FI, EFI ou PGM-FI indicam injeção), a luz de advertência da injeção no painel e a peça entre o filtro de ar e o motor (carburador, com cuba de combustível embaixo, ou corpo de borboleta, com sensores e o bico injetor ligado por fios). Nos casos mais buscados: a Biz 125 de 2010 é injetada, a Factor de 2014 é carburada e a Bandit 650 teve versões carburadas e injetadas.
Como saber em 5 passos
- Manual do proprietário. Na parte de especificações, procure "sistema de alimentação". O manual da Honda Biz 125 de 2010, por exemplo, traz "Injeção eletrônica PGM-FI"; o da Biz 100 de 2015 traz "Carburador". Muitos fabricantes publicam os manuais antigos em PDF no site oficial.
- Nome da versão. Siglas no nome costumam denunciar a injeção: Factor 125i, Biz 110i, PGM-FI nas Honda, EFI em várias marcas (como Storm 200 EFI e SHI 175 S EFI, da Shineray). A falta da sigla não prova que a moto é carburada; confirme pelos outros passos.
- Painel. Motos injetadas têm uma luz de advertência do sistema de injeção, que costuma acender quando você liga a chave, como teste, e apagar com o sistema funcionando bem; o comportamento exato está no manual. No manual da Biz 125 de 2010 ela aparece como "indicador do sistema PGM-FI". Se a luz fica acesa com o motor ligado, veja o que fazer no guia da luz da injeção acesa.
- Afogador. Moto carburada costuma ter comando de afogador, uma alavanca ou botão para enriquecer a mistura na partida a frio. O manual da Biz 100 de 2015, carburada, cita o cabo do afogador. Nas injetadas, a central faz esse ajuste sozinha.
- A peça entre o filtro de ar e o cabeçote. Com o motor frio, olhe essa região. O carburador tem uma cuba (um recipiente embaixo, onde fica o combustível) e normalmente um parafuso de dreno. O corpo de borboleta da injeção tem conectores elétricos, um sensor de posição da borboleta e, perto dele ou no coletor, o bico injetor com o seu chicote. Na moto injetada há também uma bomba elétrica de combustível, normalmente dentro do tanque; o manual da Biz 125 de 2010 explica que "o sistema de injeção eletrônica possui uma bomba de combustível".
A ficha técnica de cada versão, nas páginas de modelo do site, também informa a alimentação quando ela está preenchida.
O que muda na prática
Partida e funcionamento
Na carburada, a mistura de ar e combustível depende de ajustes mecânicos: giclês, boia, agulha e parafusos de marcha lenta e de mistura. Em dia frio você usa o afogador e espera o motor aquecer. Altitude, temperatura e sujeira mudam o comportamento.
Na injetada, uma central eletrônica calcula o combustível a partir de sensores (posição do acelerador, temperatura, pressão e, em muitas motos, sonda lambda). A partida a frio é feita sem afogador, e o motor se adapta sozinho dentro de certos limites.
Manutenção
- Carburador: o defeito clássico é sujeira nos canais e giclês, principalmente quando a moto fica parada com combustível no carburador. A limpeza exige desmontar e montar com as regulagens certas. Veja o guia do carburador do seu modelo.
- Injeção: o sistema raramente "desregula", mas depende de sensores, bomba e bico em bom estado, e de bateria e chicote saudáveis. O diagnóstico costuma ser feito com scanner, que lê os códigos gravados pela central. O guia do bico injetor mostra as peças por modelo.
Combustível parado e moto guardada
Moto carburada sofre mais com gasolina parada no carburador, que deixa resíduo nos canais finos. Na injetada o combustível fica no tanque e na linha pressurizada, mas o filtro da bomba e o bico também podem sujar com combustível ruim.
Regras de emissões
A troca do carburador pela injeção nas motos pequenas veio, em boa parte, por causa das regras de emissões. Na reportagem de junho de 2016 sobre a Factor 125i, o Motonline explicou que o modelo anterior, carburado, precisava ser modificado para se enquadrar nas regras do Promot 4 fase 2.
Casos mais buscados
Biz 2010 é carburada ou injetada?
A Biz 125 de 2010 é injetada. O manual do proprietário da Honda Biz 125 de 2010, que cobre as versões KS, ES e + (com rodas de alumínio), informa "Injeção eletrônica PGM-FI" como sistema de alimentação. Segundo o histórico da Biz publicado pelo Motonline, a injeção PGM-FI chegou à Biz em 2009, e em 2011 ela passou a ser flex.
Os cuidados: a Biz 125 foi lançada em 2005, e as anteriores à chegada da injeção eram carburadas. Se a sua é uma 2008/2009, confira pelos passos acima, porque o ano de fabricação e o ano-modelo podem ser diferentes. E a Biz 100 voltou ao mercado em 2012 com carburador, segundo o Motonline; o manual da Biz 100 de 2015 confirma "Carburador". Ou seja, Biz 100 é carburada, Biz 125 de 2009 em diante é injetada. As versões e anos estão nas páginas da Biz 125 e da Biz 100.
Factor 2014 é carburada ou injetada?
A Yamaha YBR 125 Factor de 2014 é carburada. A injeção eletrônica chegou à Factor 125 com a YBR Factor 125i, ano-modelo 2017, apresentada em junho de 2016; na reportagem do lançamento, o Motonline descreve o modelo anterior como "equipado com carburador". Em 2014, a Factor do catálogo era a de 125 cc: a Factor 150, que já veio com injeção eletrônica, aparece a partir do ano-modelo 2016, e o Vrum, em janeiro de 2016, a descreve como "equipada com injeção eletrônica". Veja as versões na página da Factor 125 e da Factor 150.
| Moto | Anos | Alimentação | Fonte |
|---|---|---|---|
| Honda Biz 125 | 2010 (KS, ES e +) | Injeção PGM-FI | Manual Honda Biz 125 2010 |
| Honda Biz 125 | a partir de 2009 | Injeção PGM-FI | Motonline (histórico da Biz) |
| Honda Biz 100 | 2015 | Carburador | Manual Honda Biz 100 2015 |
| Yamaha YBR 125 Factor | até o modelo anterior à 125i | Carburador | Motonline (2016) |
| Yamaha YBR Factor 125i | ano-modelo 2017 em diante | Injeção | Motonline (2016) |
| Yamaha Factor 150 | ano-modelo 2016 | Injeção | Vrum (2016) |
| Suzuki Bandit 600 | vendida no Brasil a partir de 1995 | Carburadores (4 Keihin de 32 mm) | Motonline (2021) |
| Suzuki Bandit 650 | modelo 2008 testado no Brasil | Injeção, arrefecimento líquido | Motonline (2008) |
Bandit 650 é carburada?
Depende do ano. A família Bandit teve versões carburadas e injetadas:
- Bandit 600 (GSF 600): chegou ao Brasil em 1995 e, segundo o Motonline, usava quatro carburadores Keihin de 32 mm. Foi vendida praticamente sem alterações até 2004.
- Primeira Bandit 650 (2005 e 2006, no mercado internacional): manteve o motor arrefecido a ar e óleo. A ficha técnica do site Motorcycle Specs para a GSF 650 N de 2005 lista quatro carburadores Keihin CVR de 32 mm.
- Bandit 650 a partir de 2007: a Suzuki lançou um motor novo, com arrefecimento líquido e injeção eletrônica. No Brasil, o Motonline testou em dezembro de 2008 o modelo 2008 à venda aqui, "agora com injeção eletrônica e refrigeração líquida", e registrou que antes a moto "tinha carburadores e refrigeração mista".
As fontes brasileiras não concordam sobre o ano exato da troca no mercado nacional (uma reportagem de 2021 associa a injeção já à passagem da 600 para a 650). Por isso, para uma Bandit 650 de 2005 a 2007, use o teste mais simples: procure o radiador. A Bandit 650 com arrefecimento líquido, que é a injetada, tem radiador na frente do motor. A que tem motor só com aletas e sem radiador é a geração de arrefecimento a ar e óleo, a dos carburadores. Confirme também pelo manual e pela ficha na página da Bandit 650.
Vale a pena trocar carburador por injeção, ou o contrário?
Não é uma troca simples. A injeção envolve central, sensores, bomba de combustível, bico, chicote e, muitas vezes, mudanças no tanque. Converter uma moto exige peças compatíveis e acerto da central, e mudar o sistema de alimentação altera características do veículo. Antes de qualquer conversão, consulte um mecânico especializado e o Detran do seu estado sobre regularização. Na maioria dos casos, o caminho mais barato é manter o sistema original em bom estado.
Na hora de comprar usada
- Carburada: pergunte se a moto ficou parada, peça para ver a partida a frio e observe se a marcha lenta fica estável depois de aquecer. Carburador mexido por quem não conhece deixa a moto falhando ou gastando mais.
- Injetada: ligue a chave e veja se a luz da injeção acende e apaga. Se ela ficar acesa, ou não acender nunca, desconfie. Se puder, peça uma leitura com scanner antes de fechar negócio.
- Nas duas: confira o ano-modelo no documento e compare com a versão anunciada; é isso que define se ela é carburada ou injetada nos modelos que mudaram de sistema.
Perguntas frequentes
Como saber se a moto é injetada pela placa ou pelo documento?
O documento informa marca, modelo, versão e ano, mas a alimentação costuma não aparecer. Com o modelo e o ano-modelo em mãos, consulte o manual ou a ficha técnica da versão.
Moto injetada gasta menos que carburada?
Em geral, a injeção dosa o combustível com mais precisão, mas o consumo depende do motor, do peso, do uso e da manutenção. Compare os números de consumo de cada modelo, de preferência de testes de imprensa especializada, e não só o tipo de alimentação.
Moto carburada tem luz de injeção?
Não. A luz de advertência da injeção existe porque a central eletrônica monitora o sistema. Se a sua moto não tem essa luz no painel, há grande chance de ser carburada; confirme pelo manual.
Toda moto com "i" no nome é injetada?
Nos exemplos que conferimos, como Factor 125i e Biz 110i, sim. Mas não dependa só da sigla: há motos injetadas sem a letra no nome, como a Bandit 650 de 2008 testada pelo Motonline, e marcas diferentes usam siglas diferentes (FI, EFI, PGM-FI).
Bandit 650 injetada ou carburada: qual é melhor para comprar?
Depende do estado de cada uma. A injetada é a geração mais nova, com arrefecimento líquido; a carburada é mais antiga e exige atenção à sincronização e à limpeza dos quatro carburadores. Leve a moto a um mecânico que conheça o modelo antes de comprar.
Fontes
- Honda: manual do proprietário Biz 125 (2010)
- Honda: manual do proprietário Biz 100 (2015)
- Motonline: Honda Biz, a história da moto
- Motonline: Factor 125i é bicombustível e tem injeção eletrônica (junho de 2016)
- Vrum: Yamaha YBR Factor 150 ganha motor flex (janeiro de 2016)
- Motonline: Suzuki Bandit 650N recebe injeção de ânimo (dezembro de 2008)
- Motonline: Suzuki Bandit 650 e 600, review com ficha técnica (2021)
- Motorcycle Specs: Suzuki GSF 650 N Bandit 2005
- Wikipedia: Suzuki Bandit series
Este conteúdo é informativo. Para serviços de freio, suspensão, elétrica e motor, procure um mecânico de confiança e siga o manual da sua moto.