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Capacete para moto

Como escolher, o que observar antes de comprar e onde encontrar.

Lojas que vendem capacete

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Marcas de capacete

Alguns modelos

Produtos com a ficha do fabricante e, quando há medida, as motos em que servem. Todos os fabricantes.

O capacete certo começa pelo tipo: o fechado protege o rosto inteiro e serve para quase todo uso, o modular facilita a vida de quem para e conversa o dia todo, o aberto é fresco mas deixa o queixo exposto e o off-road é feito para terra. Depois vêm o material do casco, a viseira, o fecho e o forro, que mudam o peso, o conforto e o quanto ele dura. Certificação do Inmetro é obrigatória em qualquer um deles. Como medir a cabeça, provar o tamanho e o que a lei exige estão no artigo como escolher capacete; aqui o foco é o que diferencia um capacete do outro na prateleira.

Tipos de capacete e para quem serve cada um

Na loja, a primeira pergunta que eu faço é: onde e quanto você roda? A resposta já elimina metade das opções.

Fechado (integral)

Casco e queixeira são uma peça só. É o tipo que mais protege, porque o queixo e o rosto ficam cobertos, e costuma ser o mais silencioso e o mais estável em velocidade. Serve para cidade, estrada e viagem. Dentro dessa família há o esportivo, com abertura de visão pensada para o piloto mais deitado sobre o tanque, e o de turismo, com mais espaço para o queixo e posição de visão para quem pilota com o tronco reto.

Modular (articulado)

A queixeira levanta, e você abre a frente sem tirar o capacete. É o preferido de entregadores, de quem usa óculos de grau e de quem faz viagem longa e para em posto, pedágio e balcão. O mecanismo deixa o capacete um pouco mais pesado que um fechado parecido. Para rodar, a queixeira tem que estar abaixada e travada, como exige a Resolução Contran nº 940/2022. Existe ainda o escamoteável, em que a queixeira gira até a parte de trás; ele também só pode circular com a queixeira travada na posição frontal ou traseira.

Aberto (jet)

Cobre o crânio e as laterais, mas não o queixo. É leve, ventilado e prático para trajeto curto em scooter ou moto pequena. A troca é clara: numa queda de frente, o rosto fica desprotegido. Precisa de viseira ou de óculos de proteção.

Off-road (cross)

Queixeira alongada, pala sobre a testa e uma abertura grande para usar com óculos de proteção. É mais ventilado e mais leve, porque na trilha você vai devagar e respira forte. Na estrada, a pala pega vento e o capacete fica barulhento. Na rua, o uso de óculos de proteção continua obrigatório.

Misto (adventure ou big trail)

Mistura o fechado com o off-road: tem pala menor e viseira, e aceita óculos quando você tira a viseira. É pensado para quem faz asfalto e terra na mesma viagem, como quem tem moto trail ou big trail.

TipoMelhor usoPonto fortePonto fraco
FechadoCidade, estrada, viagemProteção do rosto e silêncioMais quente no trânsito parado
ModularEntrega, viagem, quem usa óculosAbre sem tirarMais pesado, mecanismo a cuidar
AbertoTrajeto curto e lentoLeve e frescoQueixo e rosto expostos
Off-roadTrilha e terraVentilação e campo de visãoBarulhento e instável na estrada
MistoAsfalto e terraVersátilPala pega vento em alta velocidade

Do que o capacete é feito

Por fora você vê o casco; por dentro está a parte que mais trabalha numa batida.

Casco

  • Termoplástico injetado (policarbonato, ABS e misturas): é o material da maioria dos capacetes de entrada e intermediários. Bem feito e certificado, protege. Costuma ser um pouco mais pesado e sensível a solvente e a calor forte.
  • Compósito de fibra de vidro ou multicompósito (fibra de vidro com outras fibras, como aramida): o casco é laminado em camadas. Em geral fica mais leve que o termoplástico do mesmo tamanho e aparece nos modelos intermediários e de topo.
  • Fibra de carbono: o mais leve dos três, usado em modelos de topo e de pista. Pesa menos no pescoço em viagem longa.

Material de casco não é garantia de mais ou menos proteção por si só. O que garante o mínimo é a certificação; o material muda principalmente o peso, o conforto e o preço.

Espuma de absorção (EPS)

Logo abaixo do casco fica a camada de poliestireno expandido, o EPS. É ela que se esmaga numa batida e absorve a energia que iria para a cabeça. Alguns capacetes usam EPS em mais de uma densidade, mais firme em umas regiões e mais macio em outras. Essa espuma não volta ao formato depois de amassar, e por isso o capacete que já bateu deve ser trocado.

Tamanhos de casco

Fabricantes maiores fazem o mesmo modelo em dois ou três tamanhos de casco. Assim, o capacete 54 não é um 62 com forro grosso: o casco acompanha a cabeça, e o conjunto fica menor e mais leve. Vale perguntar isso na loja, principalmente se você usa tamanhos nas pontas da tabela.

Peso

Capacete leve cansa menos o pescoço, e a diferença aparece em viagem longa e no trânsito parado. Na prova, segure o capacete pela queixeira com a mão estendida e compare dois modelos: dá para sentir na hora.

Viseiras: tipos, troca e o que é permitido

A viseira é a peça que você mais vai usar, sujar e trocar. Antes de comprar o capacete, veja se existe viseira de reposição daquele modelo à venda, porque viseira de outro capacete quase nunca encaixa.

  • Cristal (transparente): a única que pode ser usada à noite, segundo a Resolução Contran nº 940/2022. Se você só vai ter uma viseira, que seja esta.
  • Fumê e espelhada: ajudam no sol forte, mas são só para o dia. Quem roda de dia e volta à noite precisa levar a cristal ou ter um óculos solar interno.
  • Óculos solar interno retrátil: uma lente escura que desce por dentro do capacete com uma alavanca. Resolve o problema de quem sai de dia e volta à noite, porque à noite você recolhe a lente e fica com a viseira cristal.
  • Viseira com preparo para lente antiembaçante: tem dois pinos na parte de dentro para encaixar uma segunda lente, que cria uma câmara de ar e impede o embaçamento. Em dia frio e de chuva, faz muita diferença. Confira se a viseira vem com a lente ou só com o preparo.
  • Tratamento antiembaçante e antirrisco de fábrica: ajuda, mas desgasta com o tempo e com limpeza errada.

Película de qualquer tipo é proibida na viseira e nos óculos de proteção pela mesma resolução. Isso inclui a película escura colada por cima de uma viseira cristal.

Mecanismo e troca

A maioria dos capacetes atuais tem troca rápida, sem ferramenta: você levanta a viseira até o fim e solta uma trava lateral. Peça para o vendedor mostrar como se faz antes de levar. Alguns modelos têm trava da viseira fechada e posição de "frestinha" para desembaçar no trânsito parado. Quando o mecanismo quebra, em geral existe kit de reparo, sem precisar trocar o capacete.

Fecho, forro e ventilação

  • Engate micrométrico (catraca): prático, abre com uma mão e é muito comum em capacete urbano e de entrega.
  • Duplo anel (duplo D): comum em capacete esportivo, segura bem e ajusta em qualquer ponto, mas dá mais trabalho para abrir de luva.
  • Forro removível e lavável: para quem usa todo dia, é item obrigatório na minha lista. Bochecheiras removíveis permitem também ajustar o aperto com peças de outra espessura, quando o fabricante vende.
  • Ventilação: entradas no queixo e no topo, saída na nuca. No calor brasileiro, faz diferença real. Teste se as aberturas fecham e abrem com luva.
  • Ruído: capacete com boa vedação na viseira e no pescoço é mais silencioso. Em viagem longa, ruído cansa tanto quanto o peso.

Certificação, em poucas palavras

Todo capacete vendido no Brasil precisa ser certificado conforme as regras do Inmetro, que hoje remete à Portaria Inmetro nº 231/2021 e às normas complementares. Segundo o próprio Inmetro, certificações estrangeiras, como a DOT americana e a ECE europeia, não são reconhecidas: um capacete importado com selo de fora, sem certificação brasileira, não cumpre a regra. Você pode consultar a lista de capacetes certificados no site do Inmetro, buscando "capacetes" na consulta de produtos certificados. O passo a passo para conferir o selo e a etiqueta interna está no artigo como escolher capacete.

Acessórios para o capacete

  • Intercomunicador: para conversar com a garupa, ouvir o GPS ou atender o telefone. Prefira capacete com nichos para os alto-falantes, que deixam o som mais claro e não apertam a orelha. Veja o guia de intercomunicador.
  • Viseira reserva: uma cristal sobrando ou uma fumê para o dia.
  • Lente antiembaçante: se a sua viseira tem os pinos, é o acessório que mais melhora o capacete por pouco esforço.
  • Balaclava: protege o forro do suor, ajuda no frio e na higiene de quem divide o capacete. O guia de balaclava explica os tipos.
  • Bolsa ou capa de capacete: evita riscos no transporte e poeira quando guardado.
  • Suporte de câmera: prefira os de fixação adesiva própria para capacete e siga a orientação do fabricante. Nunca fure o casco.

Marcas encontradas no Brasil

Para dar exemplos, estas marcas vendem capacete no país: Pro Tork, Norisk, Bieffe, ASX, San Marino, X11 e Texx. A lista é só de exemplo e não é ranking: dentro de cada marca há modelos de entrada e de topo. O que decide é o capacete que você tem na mão: certificação do Inmetro, tamanho certo para a sua cabeça, viseira de reposição disponível e garantia.

Cuidados, limpeza e armazenamento

  • Casca: água morna, sabão neutro e pano macio. Nada de álcool em excesso, solvente, querosene ou produto para painel de carro com silicone na viseira. O guia de produtos de limpeza mostra o que serve para moto e equipamento.
  • Viseira: deixe um pano úmido em cima por alguns minutos para amolecer os insetos e só então limpe, sem esfregar seco. Pano de microfibra limpo, sempre. Viseira com antiembaçante de fábrica tem que ser limpa por fora; por dentro, só água e o pano, como o fabricante indicar.
  • Forro: retire e lave à mão com sabão neutro, ou como manda o manual. Seque à sombra, nunca no sol ou no secador quente.
  • Mecanismo da viseira e da queixeira: tire a poeira e, se o fabricante indicar, use o lubrificante recomendado.
  • Guardar: em lugar seco, fresco e na sombra, longe de combustível e solvente. Não guarde virado de cabeça para baixo apoiado no forro, e não deixe as luvas dentro dele, porque o suor fica preso.
  • Não pendure no retrovisor: o espelho pressiona a espuma interna e o capacete cai.
  • Não reforme nem pinte: o Inmetro informa que, em capacete reformado, o fabricante não garante mais a conformidade com a norma, e a responsabilidade passa para quem usa.

Quando trocar

O Inmetro informa que o capacete não tem prazo de validade definido em lei, mas deve ser substituído depois de qualquer choque, mesmo sem dano visível, e que alguns fabricantes recomendam a troca a cada 3 ou 5 anos. Siga o que o manual do seu capacete diz. Fora isso, troque quando a casca trincar, a espuma esfarelar, o forro ceder a ponto de o capacete ficar folgado ou a cinta desfiar. Viseira riscada, forro gasto e mecanismo quebrado se resolvem com peça de reposição.

Erros comuns

  • Comprar pelo visual sem conferir se existe viseira de reposição do modelo.
  • Escolher aberto para estrada só porque é mais fresco.
  • Rodar à noite com viseira fumê ou com o óculos solar interno abaixado.
  • Colar película na viseira para "virar fumê".
  • Andar com o modular de queixeira levantada.
  • Limpar a viseira seca, com papel ou camiseta, e riscar em uma semana.
  • Comprar capacete importado sem certificação brasileira, achando que o selo de fora vale aqui.
  • Guardar o capacete no baú ao sol ou perto do escapamento.

O capacete é a parte mais importante do equipamento, mas não a única. Luva, jaqueta e calçado fechado completam a proteção: o guia de luvas é um bom próximo passo.

Perguntas frequentes

Capacete de fibra protege mais que o de plástico?

Não necessariamente. Os dois precisam passar pela mesma certificação. A fibra (de vidro, compósito ou carbono) costuma deixar o capacete mais leve, o que ajuda no conforto em viagens longas, mas o nível mínimo de proteção é o mesmo para qualquer capacete certificado.

Capacete com certificação europeia ou americana vale no Brasil?

Segundo o Inmetro, não: certificações estrangeiras, como DOT e ECE, não são reconhecidas. O capacete vendido no Brasil precisa da certificação brasileira, com selo e etiqueta interna.

Posso usar viseira fumê de dia e cristal à noite?

Pode. A Resolução Contran nº 940/2022 exige viseira cristal à noite. Durante o dia, a fumê de fábrica pode ser usada, mas película é proibida em qualquer horário. Se você não quer levar duas viseiras, um capacete com óculos solar interno retrátil resolve.

Vale a pena comprar capacete modular para entrega?

Para quem para muitas vezes por dia, ele é prático, porque você abre a frente para falar e conferir o pedido sem tirar o capacete. É um pouco mais pesado e o mecanismo pede cuidado. Para rodar, a queixeira precisa estar abaixada e travada.

Posso furar o capacete para colocar intercomunicador ou câmera?

Não. Furar o casco compromete a estrutura e a certificação. Use os nichos internos e os suportes adesivos ou de presilha indicados pelo fabricante do capacete e do aparelho.

Quanto tempo dura um capacete?

A lei não define validade. O Inmetro orienta a troca depois de qualquer choque e informa que alguns fabricantes recomendam trocar a cada 3 ou 5 anos. Siga o manual e troque antes se a casca, a espuma ou a cinta estiverem danificadas.